quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Querer ou não querer

Mais um post Iluminado do Monge Genshô que divulgo aqui para aprendermos a viver melhor. Grato Monge Genshô por seus ensinamentos.



O sofrimento é causado pela ignorância.Ignorância é a ilusão do "eu".A ilusão do eu é alimentada pelo desejo de que as coisas sejam diferentes do que são nesse exato momento.
A raiva ocorre quando algo não é como eu quero.A cobiça ocorre quando eu quero algo que não tenho.
"Isso eu quero", "isso eu não quero", essas são as origens do sofrimento.
Zazen é a imediata cessação do sofrimento e das causas do sofrimento."Deixe vir, deixe ir", essa é a regra do Zazen. Deixar ser tal como é.
Buddha é aquele que é tal como é. Zazen é a prática de Buddha.Sentando sem nada querer e sem nada buscar, experimenta-se pela primeira vez o gosto da liberdade.
Cada coisa tem seu lugar no contexto de todas as coisas. Querer algo diferente daquilo que é nesse exato momento é criar a ilusão do eu, desequilibrar o que estava equilibrado, a origem do sofrimento.Ser tal como é nesse exato momento é estar no lugar correto no contexto de todas as coisas. É unir-se com todas as coisas.

Jouken SanBlog Tentando não fugir


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tudo está na mente





Nyoshul Khen Rinpoche (Tibete, 1932 – França, 1999):
Todos os pensamentos, sentimentos, emoções, percepções, sensações, estados da mente, conceitos e tudo mais são como nuvens no céu, momentaneamente se reunindo e depois dispersando, se dissolvendo de volta exatamente nesse mesmo espaço. Que bem pode haver em se apegar a isso? Que bem pode haver em tentar se afastar disso?
Tudo é a exibição ilusória, milagrosa, como um sonho, da própria mente de alguém. Não há nada especial a se fazer sobre isso, exceto reconhecer sua natureza verdadeira, sua vacuidade, e ser livre dentro do que quer que pareça surgir.
Não é necessário julgar experiências e pensamentos como bons ou ruins, como desejáveis ou indesejáveis, proveitosos ou improveitosos. Deixe apenas ir e vir do modo como é, sem se envolver demais, sem se identificar com nada, nem cedendo nem seguindo, nem suprimindo nem inibindo. Simplesmente deixe todas as coisas internas e externas aparecerem e desaparecerem à sua própria maneira, apenas como nuvens no céu, e permaneça acima e além disso tudo, mesmo no meio das atividades e responsabilidades diárias.
Há tantas coisas para se fazer neste mundo, mas há apenas uma coisa que uma pessoa precisa conhecer, e isso é a sua própria natureza. Esse é o medicamento universal, a panaceia que cura todos os males e doenças. O que quer que vem, também vai. A própria natureza, o ser fundamental de alguém, está além — não se afeta pelas manchas que surgem ou por fenômenos temporários. Não vem nem vai: permanece imutável. Ao reconhecer isso, a transcendência inata é vivenciada. Então, samsara e nirvana não significam nem esperança nem medo para o praticante; a dualidade não mais prevalece. Não há nada a esperar, nenhuma queda a temer.
Como Guru Rinpoche, Tilopa e Naropa, e o Mahasidda Saraha disseram: “Com objetos externos, não se preocupe. Como objetos internos (o próprio sujeito), não se preocupe. Sem olhar para fora ou dentro, deixe como é: vazio, livre e aberto. Não são os objetos externos que nos prendem, mas sim o apego interno que nos amarra.”
Essa é a instrução essencial dos mahasiddas da India e dos yogues realizados do Tibet. Ela é baseada nas palavras do próprio Buda Shakyamuni, que disse que a raiz de todo sofrimento é se agarrar, se apegar. Não há outro ensinamento além deste. Isso é a raiz de tudo. Esse é o princípio por trás de todas as diferentes explicações.
A sensualidade não está nos objetos, está na mente que deseja, no próprio desejo. O desejo preenche os objetos com a qualidade de serem desejáveis, com sensualidade e valor. De outro modo, o que é desejável de modo absoluto? Tudo depende da mente, do próprio condicionamento da pessoa; o que uma pessoa deseja e aspira, a outra pode repudiar e evitar a todo custo. Não é óbvio isso?
“Natural Great Perfection”, cap. 7

Postado por Monge Genshô às 05:00


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Zen e artes marciais



Imagem de Manjushri Bosatsu com a espada que corta as ilusões em suas mãos.

P: Como se explica a ligação entre o zen e as artes marciais se o budismo é avesso a violência?

R: O zen budismo , onde pôde, inflenciou a cultura amenizando-a, transformando-a, Isshin Sensei explica bem em seu blog ... veja mais

fonte: O Pico da Montanha é onde estão os meus pés

quarta-feira, 28 de setembro de 2011



Como agir de forma compassiva?


P: Tenho a sensação de que ao enxergarmos que o sofrimento de uma
pessoa é ilusório, a única atitude sensata seria tentar libertá-la desta
ilusão, mas para uma mente que se acostumou com suas próprias
prisões, isso parece ser mais ofensivo que o próprio sofrimento.
É como se tentar derrubar a parede da cela fosse pior do que estar
aprisionado.

Como AGIR de forma compassiva?

R:É simples e não é. Há que agir de acordo com a circunstância, no caso de ser possível somente diminuir o sofrimento agir assim, no caso de ser possível ampliar a consciência fazer isto, no caso de ser possível anular a distância entre sujeito e objeto levando a identidade do relativo e do absoluto ensinar isto, porém neste último ponto estamos falando de um estágio iluminado.


O momento presente


A civilização ocidental empresta tanta ênfase à idéia da esperança que acabamos sacrificando o momento presente. A esperança é para o futuro. Ela não pode nos ajudar a descobrir a alegria, a paz e a luz no momento presente. Muitas religiões se baseiam no conceito de esperança, e essa recomendação no sentido de evitá-la pode provocar uma forte reação. Esse choque pode, no entanto, produzir algo importante. Não estou dizendo que não devemos ter esperança, mas que a esperança não basta. Ela pode criar um obstáculo pra você e, se estiver imerso na energia da esperança, não conseguirá voltar por inteiro para o momento presente. O que seria uma lástima. Se você canalizar esta energia para uma conscientização do que está ocorrendo, no momento presente, será capaz de romper com tudo e descobrir a alegria e a paz exatamente no momento presente, dentro de si mesmo e em tudo à sua volta.


THICH NHAT HANH (mestre zen vitnamita)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

SENPAI & KŌHAI – Respeito e dedicação



Devido a crise que venho passando nesse últimos meses, e boa parte dela é decorrente de um dos maiores problemas dentro do Japão (IJIME), decidi falar sobre esse assunto que em geral, são distorcidos pela falta de conhecimento e desinteresse de muitos praticantes do “caminho”.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Niju Kun

NIJU KUN

Os 20 princípios foram legados pelo Mestre Funakoshi para o desenvolvimento espiritual e mental dos seus alunos.

Eles evidenciam o desejo do mestre de assegurar que o praticante não fique preso aos aspectos técnicos do Karate, à custa do lado espiritual. É a preocupação com os aspectos espirituais, que transforma o Karate, de um simples esporte de combate, num Caminho (Do) espiritual.

Esses princípios fornecem uma base de sustentação para os praticantes de todos os níveis técnicos. Para o iniciante, eles oferecem uma conceituação global sobre como encarar essa arte marcial. Para o estudante sério, eles propiciam uma orientação contínua e a oportunidade de esmiuçar mais profundamente o que já aprendeu.

A leitura tenta e ponderada desses axiomas leva-nos a uma jornada muito mais intensa do que poderíamos esperar inicialmente.

Espantosamente, questões técnicas são deixadas de lado em benefício de uma investigação mais profunda do Grande Caminho.

Todas as atenções se concentram na acuidade mental e nas condições espirituais necessárias, e nas maiores possibilidades do treinamento. Enfatiza-se mais a titude que a postura, mais o espírito que a forma.

O estímulo sútil desses 20 princípios aplica-se a nossa vida tanto quanto a prática do Karate. Eles nos levam a refletir melhor sobre como conduzir a nossa vida e como tratar as pessoas do nosso convívio.


Esses princípios em si são frases concisas, elegantemente densas, de um natureza profundamente filosófica. No entanto, o próprio fato de serem concisas deixa-as abertas a inúmeras interpretações até mesmo no seu idioma nativo, o japonês.

Esses pensamentos recolhidos oferecem ao leitor uma imagem nítida do verdadeiro propósito de Funakoshi e, constituem uma espécie de janela histórica e cultural fascinante sobre a época em que o mestre viveu.

Para Funakoshi, a prática do Karate tinha muito mais a ver com o domínio do ego do que com resultados físicos, acreditava o mestre que antes de tudo, o Karate tem a ver com a construção do caráter.

Funakoshi sempre encorajou seus alunos a buscar os aspectos mais profundos e significativos desta arte.

Esses princípios tratam de questões do caráter e da espiritualidade, assim como da necessidade de coragem, honestidade, perseverança e, o que é mais importante, humildade, virtudes que encontram expressão mediante a cortesia e o respeito.

Esses comentários que abaixo postarei foram escritos pelo grande entusiasta das artes marciais e amigo de Funakoshi Genwa Nakasone. Nakasone explana os princípios, que foram originalmente redigidos como diretrizes sucintas para serem exercitadas na prática, por comentários orais surgidos tento no Dojo quanto em sessões particulares com o mestre Funakoshi ou com algum dos seus discípulos.

É importante frisar que esses comentários foram lidos e aprovados pelo próprio mestre Funakoshi.


PRIMEIRO PRINCÍPIO

NÃO SE ESQUEÇA DE QUE O KARATE COMEÇA E TERMINA COM "REI"

O Karate é um arte marcial japonesa, E assim como as outras artes marciais de que é aparentada, o Karate deve começar da mesma maneira como deve terminar - com "Rei".

"Rei" costuma ser definido como "respeito", mas na verdade significa muito mais do que isso.

"Rei" compreende tanto uma atitude de respeito pelos outros quanto um sentimento de auto estima.

Quando aqueles que respeitam a si mesmos transferem esse sentimento de estima - isto é, de respeito - para os outros, a sua ação nada mais é do que uma expressão de "Rei".

Diz-se que sem "Rei" instala-se a desordem e tb que a diferença entre homens e animais está no "Rei".

Os métodos de combate que não contam com "Rei" não são artes marciais,mas mera violência desprezível.

A força física sem "Rei" nada mais é do que força bruta.

Deve-se tb notar que, embora o comportamento de uma pessoa possa ser correto, sem sinceridade e respeito no coração ela não possui o verdadeiro "Rei".

O verdadeiro "Rei" é a expressão exterior de respeito íntimo.

Todas as verdadeiras artes marciais começam e terminam com "Rei".

A menos que elas sejam praticadas com um sentimento de reverência e respeito, elas são simplesmente formas de violência.


SEGUNDO PRINCÍPIO

NÃO EXISTE PRIMEIRO GOLPE NO KARATE.

"Uma espada nunca deve ser desembainhada de maneira descuidada ou imprudente"

Essa era a mais importante regra de conduta na vida cotidiana de um samurai. Era essencial ao homem digno daquela época praticar os seus recursos até o limite extremo da sua capacidade antes de colocá-lo em prática. Só depois de atingir o ponto em que a situação não poderia mais ser tolerada é que a lâmina era sacada da bainha. esse era o ensinamento básico da prática japonesa do Bushidô.

No Karate as mãos e o pés podem ser tão letais como a lâmina de uma espada. Assim o princípio de que "não existe o primeiro golpe no Karate" é uma extensão do princípio básico do samurai, segundo o qual deve-se evitar a displicência no uso das armas.

Esse princípio tb pode ser observado nas recomendações do Mestre Itosu que afirma:

"... quando se torna necessário, não se deve arrepender-se de tirar a vida de alguém pelo bem do seu senhor ou do país, sacrificando-se corajosamente eplo bem comum... em uma situação real em que vc foi acossado por um bandido ou desafiado por um desordeiro agressivo, tente evitar a aplicação de um golpe mortal. Tenha como princípio essencial que evitar um ferimento nos outros com suas mãos ou pés é a maior preocupação"

Até mesmo numa situação de emergência deve-se fazer um esforço para evitar um golpe fatal. Isso pode ser comparado a golpear o atacante com o lado de trás da espada em vez de usar a parte cortante da lâmina.

É fundamental dar tempo ao adversário para que ele reconsidere ou se arrependa de suas ações.

Por um lado, quando circunstâncias além do controle obrigam um praticante a recorrer a ação, ele deve reagir sem restrições e sem preocupação com a vida ou com um membro, permitindo que a sua perícia marcial brilhe no extremo de sua capacidade.

Esse é o verdadeiro espírito do Budô.

Muitos não conseguem captar o verdadeiro significado que está por trás desse segundo princípio e afirmam que todo o Budô baseia-se na idéia de golpear primeiro.

É muito provável que essas pessoas nem sequer compreendam que o ideograma "BU" (marcial), é constituído de dois caracteres que significam "deter" e "alabardas ou lanças".

Portanto, uma arte marcial "detém" a luta.

Da mesma maneira, o caracter relativo a "resistência" ou "paciência" é um ideograma derivado de uma lâmina sendo sustentada e controlada pela mente.

Apenas quando se está diante de uma situação tão insustentável, que se esgota a capacidade de tolerá-la, ou dar-lhe um fim sem confrontação, é que a espada deve ser desembainhada ou a lança apontada para o adversário.

Esse é o verdadeiro espírito do Budô.

Na pior das hipóteses, quando o combate é inevitável, indica-se tomar a iniciativa, atacando incessantemente até alcançar a vitória.


TERCEIRO PRINCÍPIO

O KARATE PERMANECE DO LADO DA JUSTIÇA

Justiça é o que é certo. Fazer o que é certo requer força e capacidade de verdade.

Os seres humanos são mais fortes quando acreditam que estão certos.

A força derivada da confiança de alguém que sabe o que está certo se expressa pelo ditado

“Quando me analiso e vejo que estou do lado certo, então não importa que eu tenha de lutar contra mil ou contra dez mil adversários, devo ir em frente”

Evitar ação quando a justiça está em jogo demonstra falta de coragem.

O Karate é uma arte marcial em que as mãos e os pés são como espadas, não deve ser usado injusta ou inadequadamente.

Os praticantes de Karate devem permanecer do da justiça em todas as ocasiões e, apenas em situações em que não haja outra escolha devem expressar a sua força pelo uso das mãos e dos pés como armas.


QUARTO PRINCÍPIO

PRIMEIRO CONHEÇA A SI MESMO, DEPOIS CONHEÇA OS OUTROS.

Quando se conhece o inimigo e a si mesmo, não se corre perigo nem em uma centena de batalhas.

Quando se desconhece o inimigo, ainda que se conheça a si mesmo, as possibilidades de vitória ou de derrota são iguais.

Quando não se conhece nem o inimigo nem a si mesmo, todas as batalhas serão perdidas. (Sun Tzu – A Arte da Guerra)

Desde os tempos antigos, essa famosa passagem tem circulado amplamente entre aqueles que se adestram nas artes marciais.

Nos nossos esforços, conhecemos as nossas técnicas prediletas e os nossos pontos fracos. Mas, na luta, não só devemos estar bem conscientes dos nossos pontos fortes e fracos, como tb compreender os pontos fortes e fracos do adversário.

Então, mesmo em uma centena de confrontos, o perigo será mínimo.

Se conhecemos a nos mesmos, mas não conhecemos o nosso adversário, a vitória ou a derrota dependerão do acaso.

Mas entrar em uma luta sem conhecer o nosso adversário nem a nós mesmos, é como tentar fazer alguma coisa ou lutar com os olhos vendados.

Os praticantes de Karate devem estar inteiramente conscientes dos seus pontos fortes e fracos, e nunca se confundir ou deixar cegar por preconceitos ou confiança excessiva.

Então eles serão capazes de estudar com calma e com cuidado os pontos fortes e fracos dos adversários, e criar uma estratégia ideal.


QUINTO PRINCÍPIO

O PENSAMENTO ACIMA DA TÉCNICA.

Um dia, o famoso mestre espadachim do século XVI, Tshukahara Bokuden, decidiu testar a capacidade dos seus filhos. Primeiro chamou o primogênito, Hikoshiro, ao seu quarto.

Ao empurrar a porta com o cotovelo para abri-la, Hikoshiro notou que ela parecia mais pesada que o habitual e, correndo a mão ao longo da borda superior, encontrou e removeu um pesado apoio de cabeça feito de madeira deixado ali, recolocando-o cuidadosamente no devido lugar depois de entrar no quarto.

Bokuden, então, chamou o segundo filho, hikogoro.

Quando Hikogoro, sem desconfiar de nada, empurrou a porta, o apoio de cabeça caiu, mas ele mais que depressa o pegou e o devolveu ao seu lugar de descanso original.

Então Bokuden chamou o terceiro filho, Hirokoru.

Quando Hirokoru, que de longe ultrapassava os dois irmãos mais velhos em habilidade técnica, escancarou energicamente a porta, o apoio de cabeça caiu e bateu no seu topete. Em uma ação reflexa, Hikoroku sacou da espada curta da cintura e cortou em dois o apoio de cabeça antes que batesse na esteira de tatami do chão.

Bokuden disse aos filhos: “Hikoshiro, o único que pratica o nosso método de manejo da espada é vc.

Hikogoro, se vc se exercitar e não desistir, algum dia poderá alcançar o nível do seu irmão.

Hikoroku, no futuro vc seguramente causará a ruína desta casa e trará vergonha para o nome do seu pai.

Não devo ter alguém tão imprudente quanto vc em casa.

Com isso ele deserdou Hikoroku”.

Essa história exemplifica o princípio segundo o qual nas artes marciais as faculdades mentais são mais importantes do que a técnica. Aquelas se sobrepõem a esta última.



Outra história bem conhecida pode ser citada para ilustrar o princípio da "mente acima da técnica".

Entre os discípulos de Bokuden havia um homem com uma habilidade técnica extraordinária. Um dia caminhando pela rua, aconteceu desse discípulo passar por um cavalo muito arisco, que de repente o escoiceou; mas o discípulo imediatamente se virou evitando o golpe e escapando ileso da agressão.

Os espectadores que testemunharam o incidente comentaram:

"Ele bem merece ser considerado o melhor aluno do mestre Bokuden. Se Bokuden não legar seus segredos a ele, seguramente não legará a mais ninguém"

Bokuden, porém, quando soube do incidente, ficou desapontado e falou:

"Eu me enganei quanto a esse aluno" e dispensou o aluno de sua turma.

Ninguém conseguiu entender o raciocínio de Bokuden e concluíram que não poderiam fazer nada além de observar o modo como o próprio Bokuden se comportaria em circunstâncias semelhantes.

Para tanto, amarraram um cavalo extremamente mais sensível a uma carroça deixada numa rua pela qual sabiam que Bokuden passaria e ficaram observando-o secretamente de longe.

Quando Bokuden chegou perto do cavalo, atravessou a rua para o outro lado e manteve-se a uma distância segura do cavalo.

Surpresos com o resultado inesperado, as pessoas, mais tarde, acabaram confessando

o seu ardil e, perguntando a Bokuden a razão da súbita dispensa do discípulo.

Bokuden respondeu:

"Uma pessoa com uma atitude mental que lhe permite passar negligentemente por um cavalo sem considerar que ele possa recuar para cima dele é uma causa perdida, não importa o quanto estude a técnica. Pensei que ele fosse mais ajuizado, mas me anganei.


Fonte: Taigen Karate Budo


sábado, 30 de abril de 2011

Lyoto Machida derrota a lenda Randy Couture e José Aldo mantém o cinturão dos pesos penas

Noite de vitórias brasileiras no UFC 129

Lyoto Machida derrota a lenda Randy Couture e José Aldo mantém o cinturão dos pesos penas


Dois lutadores brasileiros e dois objetivos distintos em jogo no UFC 129: o primeiro brigava pelo direito de seguir participando do principal evento de MMA (artes marciais mistas, em inglês) do mundo. Já o segundo defendia o cinturão dos pesos penas. Quis o destino que Lyoto Machida e José Aldo Junior saíssem vitoriosos do octógono armado na cidade canadense de Toronto, na noite deste sábado.

Diante de um público de 55 mil pessoas que lotou o estádio do Toronto Blue Jays (time de beisebol), Lyoto Machida fez a primeira luta brasileira do card principal sob a ameaça de deixar o UFC caso fosse derrotado pelo americano Randy Couture, lenda viva do MMA e que aos 47 anos anunciava sua aposentadoria. Depois de um primeiro round de poucos golpes trocados, na etapa seguinte, o carateca Machida, que vinha de duas derrotas seguidas entre os meio-pesados (93kg), acertou um belo chute de direita na cara do adversário, levando-o à lona. O golpe aplicado pelo "Dragão" para nocautear o veterano americano pareceu ter sido inspirado numa famosa cena do filme "Karate Kid". Na plateia, o atual campeão dos médios, Anderson Silva, comemorou a vitória do compatriota ao lado do ator americano Steven Segal.

Cinematográfica também foi a luta dos pesos penas (até 65kg). O amazonense José Aldo defendia o cinturão da categoria contra o canadense Mark Hominick, especialista em kickboxe. Aldo desferiu vários golpes na cabeça do oponente, que apesar de ter ficado com o rosto cheio de sangue e um gigantesco galo na testa, conseguiu levar o combate até o fim do quinto round. Em seguida, por decisão unânime dos juízes, o brasileiro foi declarado vencedor, apesar de ter tido muitas dificuldades na última etapa do confronto. Ao comemorar, José Aldo exibiu uma bandeira do Flamengo, time pelo qual torce.

Na principal luta da noite, o ídolo canadense Georges Saint-Pierre defendeu o título dos meio-médios (até 77kg) contra o americano Jake Shields, especialista em jiu-jítsu e luta olímpica que acumulava até então uma série de 15 vitórias consecutivas. Burocrático em alguns momentos, Saint-Pierre levou o combate até o fim dos cinco rounds sem muitas dificuldades e sem empolgar os torcedores locais. Após ser declarado vencedor pelos juízes, o canadense desconversou durante uma entrevista sobre o possível desafio com Anderson Silva, confronto dos sonhos de Dana White, dono do UFC. Infelizmente, a resposta do campeão não foi objetiva e serviu apenas para gerar mais expectativa entre os fãs do MMA. Ele disse apenas que teria que repensar a carreira e não queria pensar nisso agora.

Daniel San
Com golpe certeiro, Lyoto Machida nocauteia Randy Couture e se emociona com a vitória. Lutador brasileiro finalizou o combate com um chute certeiro no queixo do americano americano que se aposentou logo após a luta.
Sensei Debatendo
Mario Filho, Murilo Bustamante, Humberto Martins e Flávio Canto acreditam que o lutador brasileiro possa ter se inspirado no filme `Karatê Kid` ao executar um chute parecido ao de Daniel San.
Pressão sobre Lyoto
Presidente do UFC afirma que os lutadores precisam ser bons em todos os combates e, por isso, o ideal é manter uma boa sequência de lutas.
Cinturão continua no Brasil
José Aldo estreia com vitória no octógono e mantém cinturão dos pesos penas.